sábado, 17 de setembro de 2016

A mão que descreve as coisas.

Creio que escrever é um exercício que pede coragem.
Empenha-se a caneta e a mão descreve melhor o tempo do que o texto que se desenha.
Desço minha ferramenta e vou ao banheiro me olhar no espelho.
Já sou eu.
É só cabeça, corpo, mente ainda...
Às vezes a gente é coisa, pintura abstrata...
Mas depois que você aprecia a coisa toda na frente do espelho e se vê ali, percebe...
É a mão, primeiro, que tá já há algum tempo traquinando.

sábado, 3 de setembro de 2016

Encontros mudos

- "Oi"
- "Oi"
- "Eu te quero."
- "Eu te quero."
- "Eu quero te conhecer. Saber quem você é... E te mostrar quem eu sou. Me entregar pra você."
O ônibus para. Eu levanto e desço. No caminho para a porta, claro, o último olhar.
- "..."
- "..."
E o ônibus vai embora.